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Adeus código aberto, olá código fechado

O usuário Jotoco publicou um texto no fórum, e pediu que eu o utilizasse como base para um texto a ser colocado aqui no blog. Vou fazer um pouco diferente…eis o texto dele. E depois a minha opinião.

Hoje a Nokia anunciou uma parceria estratégica com a Microsoft para Smartphones.

Dessa forma ela irá adotar o Windows Phone 7 como sua principal plataforma para dispositivos inteligentes, enquanto transformará o Symbian numa franquia e o MeeGo num experimento, basicamente.

Alguns pontos importantes:

Nokia irá inovar em cima da plataforma como ceder sua experiência em câmeras, onde é líder isolada no mercado;
Nokia vai ajudar a desenvolver o windows phone e ainda terá benefícios exclusivos para se diferenciar no mercado;
Nokia (Ovi) Mapas vai ser o principal serviço de mapas do Bing (não só do windows phone);
Bing será o serviço oficial da Nokia;
Nokia e Microsoft irão unir forças no quesito de Marketing e estratégias de mercado, basicamente vendendo um “MicroNokia”;
Ovi Loja será absorvida pela Windows Marketplace;
Extinção do Qt (que mal saiu do forno);
Extinção do MeeGo (que terá 1, e apenas 1 dispositivo lançado este ano).

Algumas considerações que eu gostaria de fazer sobre o que ocorre hoje.

Primeiro, por que a Nokia não fechou parceria com o Google?
De acordo com a informação à imprensa, ela tentou, mas o Google não ofereceu nenhuma oportunidade da Nokia se diferenciar no mercado, ficando sendo apenas “mais uma” fabricante de Android, sem nenhum diferencial importante.

O que difere com a Microsoft?
No caso, parece que o acordo deixa a Nokia com mais liberdade para manipular a plataforma da Microsoft, na união de lojas a Nokia acaba levando algum dinheiro, ela impõe o Nokia (Ovi) Maps para todos os SERVIÇOS (não só smartphones) da Microsoft e tem uma plataforma para se lançar no mercado Norte Americano.

Por que isso é bom pra Nokia?

Bom, primeiro que ela leva uma chacoalhada geral e a imagem da empresa vai ser completamente refeita nos próximos meses e anos, o que é bom já que a maioria das pessoas tem uma visão negativa da empresa neste momento.

Só de anunciar a parceria veja o quanto mudaram os títulos das matérias da imprensa Norte Americana sobre a companhia, e veja como estão tratando diferente a Nokia, já ganhou respeito. O mercado Norte Americano é muito xenófobo com empresas estrangeiras, e a Nokia não fazia questão nenhuma de parecer americana, além da política de vendas de Smarts desbloqueados não ser utilizada nos EUA, onde tudo é subsidiado com contratos e a Nokia não utiliza esta tática tanto e da mesma forma que as outras.

A integração a uma loja de verdade (desculpe Ovi Loja) vai ser interessante, e a associação a uma outra grande marca vai mudar a percepção de mercado da empresa.

Por que isso é péssimo pra Nokia?

Ela deixa de ser uma fabricante diferenciada, que possui toda sua cadeia de produção (como a Apple) e passa a ser uma fabricante de Smartphone, somente. Apesar da diferenciação que a Microsoft possibilitará para a Nokia, que não sabemos o quão grande será, acredito que será muito difícil para os clientes diferenciarem a marca Nokia das outras fabricantes de Windows Phone. Assim como no Android, onde não há uma diferenciação completa da marca com a plataforma, a Nokia corre o risco de sumir no meio dos outros.

A quantidade de dinheiro que a Nokia perdeu com desenvolvimento do Symbian^3 e MeeGo, além da Ovi Loja é absurda. Sim, a Nokia era a empresa que mais gastava com Desenvolvimento dentre todas as fabricantes de smarts. E todo esse esforço foi jogado no lixo.

Além de tudo isso, fica a perda de confiança dos clientes existentes que ficarão abandonados. A Nokia ainda é a empresa que tem mais smartphones vendidos no mundo, de muito muito longe, e essa população vai ficar com um gosto bastante amargo na boca (mais ou menos como os donos de n900).

O MeeGo com essa sofreu uma morte prematura, vai ter lançado somente 1 aparelho este ano pra “ver no que dá” e depois, caso não seja um sucesso estrondoso (e com uma estratégia dessas, não vai ser), será enterrado ainda vivo.

A perda da Ovi Loja, no entanto, pode ser o maior baque no faturamento da Nokia. Loja online são um filão enorme, onde o custo de operação é baixíssimo e o lucro absurdamente alto, basta olhar para os lucros da Apple. Ela tem um faturamento muitas vezes menor que de outras empresas (inclusiva que a Nokia) mas seu lucro é infinitamente maior, pois seus custos são ínfimos. Não sabemos ao certo se a Nokia leva parte do bolo na venda do Windows Marketplace, mas duvido.

Ao final parece que a Nokia simplesmente aceitou que não é mais uma fabricante diferenciada no mercado e aceitou se juntar a Motorola, HTC, LG e outras e ser só mais um nomezinho escrito do lado do celular Windows Phone, e não a grande empresa que era até hoje. Com isso ela pretende aumentar a margem de lucro operacional para 10%, mais que dobrando a atual, mas acredito que irá cair em muito o seu faturamento.

É muito difícil saber o que vai acontecer com a Nokia agora. Um prazo de 2 anos para lançar um aparelho novo com um sistema desconhecido pela empresa é, mercadologicamente falando, muito longo, e empresarialmente falando, muito curto!

É muita ingenuidade acreditar que os aparelhos saem das cabeças dos projetistas e engenheiros para as linhas de produção em algumas semanas. O processo leva muito tempo! Você pode ter certeza que neste momento a Apple já está pensando no iPhone 6 (ou talvez até no 7), sendo que o 5 nem foi lançado ainda.

E contar com a ingenuidade do mercado para comprar aparelhos com um sistema que acabou de morrer (Symbian) também é contar demais com a sorte.

Na questão do Android eu até concordo com a Nokia: ela seria apenas mais uma no meio de tantos outros. Os seus produtos teriam que ser migrados, e quase todos são inferiores à concorrência. O portal Ovi não disse a que veio. A loja de música…..ainda existe? A loja de aplicativos…..bem, se fechar ninguém sentirá falta.

O único produto dela que vale algo, além do hardware, é o Ovi Maps. E mesmo assim nem tanto pelo programa de navegação em si, pois há outros no mercado tão bons quanto, mas sim pela Navteq, que é a provedora dos mapas do programa, e que pertence à Nokia.

O acordo é muito mais interessante para a Microsoft do que para a Nokia. Para a primeira é apenas mais uma tentativa de voltar ao mercado de sistemas operacionais móveis, onde hoje em dia ela tem atuação pífia. Para a segunda significa a própria existência!

Se a Microsoft abandonar o Windows Phone será apenas mais um produto que não deu certo. Para a Nokia significará o fim. O risco é todo da Nokia (por isso é mais interessante para a Microsoft).

Quanto aos outros sistemas operacionais….bem, a Nokia sempre teve vários! Senão vejamos: Symbian S60 (rebatizado de Symbian^3), Symbian S40 e Maemo. Sim, o Maemo existe faz tempo! O primeiro aparelho com ele saiu em 2005. Mas só agora com o N900 ele alcançou o estrelato pelo simples motivo de ter atingido uma ótima maturidade. Só não foi mais pra frente porque faltou visão à empresa e tratou o N900 como um mero internet tablet ao invés de um smartphone.

Por isso é até possível que ela continue usando outros sistemas em aparelhos, digamos, menos comerciais.

Uma coisa é possível dizer, sem muito medo de errar: os concorrentes agradeceram essa decisão, pois significa que muitas cabeças rolarão no setor de desenvolvimento da Nokia, e cabeças boas, que serão contratadas pela….concorrência! Basta ver que quem começou esse movimento foi o chefe da equipe do MeeGo, que há alguns meses saiu de lá para ir pra equipe responsável pelo WebOS.

Eu gostaria de estar errado, pois a Nokia sempre foi uma referência em matéria de hardware, mas acredito que estamos vendo o ocaso de um gigante. Não desejo o mal a ninguém, mas tenho a impressão de que em 4 ou 5 anos nos lembraremos da Nokia como a empresa finlandesa que dominou o mundo e derreteu junto com as calotas polares

Nexus S e N900

Depois de uma verdadeira batalha com a BestBuy para conseguir comprar o aparelho, finalmente estou com ele em mãos.

Primeiro o hardware. Ele é muito leve, principalmente se comparando ao N900. Chega a ser covardia. É um pouco mais largo, um pouco mais alto, e muito mais fino. A tela curva dele quase não se percebe (só é visível ao olhar o aparelho de lado).

Ele possui apenas 2 botões: liga/desliga (que serve para ligar ou desligar o aparelho e para ligar ou desligar a tela). E um botão de volume. Os outros botões são “virtuais”, e já conhecidos de quem mexeu ou viu qualquer Android (voltar, menu, pesquisar e home). Além, claro, da entrada micro-USB para conectar ao computador e carregá-lo e do plugue para fone de ouvido.

A construção dele, para alguns, pode parecer feia, pois ele é praticamente de plástico. Mas eu achei bonito. Além do que eu não quero um celular estiloso que chame a atenção de todos, mas sim um que funcione a contento.

Ele é rápido….MUITO rápido! A resposta aos comandos é instantânea. E a tela capacitiva me prega algumas peças de vez em quando, já que às vezes nem é preciso encostar nela para reconhecer o toque. Mas neste aspecto posso dizer: a tela do N900 continua sendo muito boa (não tanto quanto a do Nexus S, mas melhor que muitas outras por aí).

O software? Bem….aí não tem nem o que comentar. Só de clientes para o Twitter há 4 gratuitos muito bons, fora os pagos (e lembrando que entre os gratuitos há um oficial). Foursquare? Aplicativo oficial. Tudo isso sem comentar sobre os programas do Google, como o Maps, Earth, Goggles. MSN? Há pelo menos umas 10 opções para se escolher. E detalhe: considerei apenas softwares que possuem pelo menos 4 estrelas!

O Lito até se assustou quando colocou o chip no aparelho dele, e “magicamente” todos os contatos, telas, programas e afins apareceram. Isso é porque há um recurso que permite armazenar no Google todas as configurações do aparelho….ao trocar a sincronização é automágica (claro que é configurável e é uma das primeiras perguntas que o Android faz ao se ligar o aparelho).

A minha primeira batalha foi transferir os contatos do N900 pro Nexus S. Eu devo ter ficado, fácil, umas 5 horas tentando diversas coisas. A única opção que o N900 dá de exportação de contatos é para arquivos VCF, que serão gravados no próprio aparelho. Tudo bem….era só transferi-los depois. Mas como alterei a formatação do aparelho (deixando tudo em ext3, padrão do Linux), o programa de exportação simplesmente não conseguia gravar nada em lugar nenhum.

Pensei em usar o Ovi Suite para sincronizar com o aparelho, e no PC mandar exportar. Depois de ser obrigado a liberar mais de 500MB no disco para instalar a porcaria (considero uma porcaria algo gigantesco como aquilo), não achei opção nenhuma de exportação nele.

A alternativa?? Fazer backup no N900, reinstalar o firmware com o eMMC (para voltar à formatação original das partições), recuperar o backup, e exportar os contatos. Aí foi. Para colocar os contatos no Nexus S foi mais simples do que imaginei: copiei os contatos para um diretório nele, e fui no programa de contatos, opção importar, e ali havia uma opção “importar do armazenamento USB”. Dentro dessa opção ainda podia selecionar “importar um arquivo” ou “importar todos os arquivos”. Estranhei pois ele não perguntou onde estariam os arquivos…..selecionei “todos”. E de novo, automagicamente, todos os meus contatos estavam no Nexus S!

Ainda não consegui usar o programa de navegação dele, mas já percebi que o GPS funciona muito bem, obrigado (no primeiro uso ele fez a localização em pouquíssimos segundos, claro que usando o A-GPS, mas fez).

Ainda vou fazer alguns comparativos com as fotos, para ver como ele se sai (comparando as fotos tiradas por 3 equipamentos: Nexus S, N900 e uma Nikon Coolpix L110).

Só mais uma coisa: pra que teclado físico se existe o Swype?

É o fim

Ou pelo menos em parte.

Eu quase sempre tive aparelhos da Nokia. Não foram muitos até hoje, é verdade. O meu primeiro celular foi um LG, assim que a ainda-Telesp Celular-futura-Vivo lançou o Baby (primeiro plano pré-pago de telefonia celular em São Paulo).

Depois dele começou a “era Nokia”: o primeiro foi um 2280. Depois troquei por um 6235, meu primeiro câmera-fone (que apesar de tirar fotos apenas como VGA, o fazia com boa qualidade).

O aparelho seguinte foi o meu primeiro smartphone: o N73. Com ele comecei a expandir os horizontes, principalmente depois que comprei o módulo de GPS da própria Nokia, para usar junto com o hoje chamado Ovi Maps (na época se chamava smart2Go, e nem pertencia à Nokia ainda).

Com o lançamento do N95, achei que seria uma troca boa, já que teria um aparelho menor, mais poderoso, e me livraria do módulo GPS, já que o N95 tem um interno.

E fiquei com ele por um bom tempo….até que apareceu o N97. Quando eu estava quase trocando, vi a notícia do N900. Foi olhar pro aparelho e pensar: é esse aí que eu quero! Pesquisei um pouco, comparei os aparelhos, e decidi. E aí surgiu este blog e o fórum.

Estou com o aparelho há mais de 1 ano (foi comprado ainda na pré-venda, na Amazon).

Eu não sou fiel a sistema operacional móvel, mas costumo ser a marcas se tenho uma boa experiência de uso com elas. Com a Nokia sempre foi assim, por isso que não me preocupei muito em trocar o Symbian, velho conhecido, pelo Maemo.

Pensei que com o tempo o Maemo cresceria bastante, se fortaleceria, e o N900 seria o trampolim para ele. Que o aparelho é um monstro (em todos os sentidos), não há como negar: é grande, pesado, mas tem um ótimo processador, um sistema eficiente e muitas possibilidades de uso.

Porém, possibilidades de uso não implicam em uso efetivo. De nada adianta ter um carro com 6 marchas se nunca consigo chegar até a quarta.

Eu realmente esperava que a Nokia tivesse aprendido algo com seus erros, com os acertos dos concorrentes, que as coisas melhorassem. Mas não é o que acontece. No fórum do T.M.O., o responsável pelo Instinctiv disse que todo o desenvolvimento de software para o Maemo está congelado, inclusive sob chancela da própria Nokia.

E isso acredito estar claro para todos: não há praticamente ninguém fazendo software para o Maemo. E um smartphone sem programas passa a ser apenas um phone. Viver da bondade da comunidade é utopia. São necessárias empresas, dinheiro, para que as coisas sejam feitas.

Eu não quero ter que recorrer à pirataria para poder ter uma navegação por voz no meu aparelho. Não quero ter que instalar correções de terceiros que deveriam ser feitas pelo próprio fabricante para corrigir problemas ou colocar melhorias. Não quero me considerar à margem até pela empresa que faz o aparelho.

Não tinha trocado o N900 por outro porque não tinha aparecido nenhum que me chamasse a atenção. O iPhone pra mim é uma piada…para usá-lo de verdade eu preciso ter o iTunes, que não roda no meu sistema operacional. Portanto totalmente descartado….é o aparelho que tem que se adaptar ao meu uso, e não o contrário.

Não tinha vontade de ter um Android porque todos os fabricantes metem a mão no sistema, alterando-o, e quando sai uma nova versão o usuário precisa esperar pela boa vontade alheia para, quem sabe, atualizá-lo (vide a novela da versão 2.2 no Milestone). Sem contar que o quesito marca entra em ação de novo: não gosto da Motorola (marca que mais lança aparelhos com o sistema).

Aí apareceu o Samsung Galaxy S. Esse chegou a me chamar a atenção….porém, ele também é personalizado pelo fabricante, e portanto em algum tempo talvez já não esteja mais com a versão mais recente do Android.

Mas com o Nexus S, a segunda geração do Google-fone, a história é diferente. É um Android limpo, como concebido pelo Google, num aparelho com ótimas especificações, e ainda é um Samsung!

Eu já tomei a decisão, e trocarei o N900 pelo Nexus S.

Este deve ser, provavelmente, o último texto escrito neste blog por mim, até por uma certa falta de novidades para o N900 (sequer o Angry Birds de natal ainda foi aprovado pela Ovi Store). O blog não será excluído, pois acho que há muita informação aqui e que pode ser útil a todos os que possuem ou possuirão o N900. Também não se transformará num blog sobre Android. Ele nasceu tendo como tema o N900, e morrerá tendo o N900 como tema. Além do que, já há dezenas, centenas de blogs que falam sobre Android….não há necessidade de mais um.

O fórum também não será excluído, e não será fechado. Mas eu não terei mais uma participação muito ativa, visto que não usarei mais o aparelho.

Enfim, foi bom enquanto durou. Mas graças à incompetência, sonolência, lentidão e falta de visão da Nokia, ela perde um cliente, um usuário dos seus aparelhos e serviços, alguém que estava disposto a desenvolver para a plataforma, e sem ser falso modesto, alguém que ajudava os seus usuários mais do que ela própria.

Quando algo dá errado…

É sempre bom estar preparado para catástrofes!

Eu tinha instalado no meu aparelho o U-Boot, Multiboot, Power Kernel e NITDroid. Achei que tava meio exagerado tudo isso principalmente porque o único que estava usando, de vez em quando, era o U-Boot para entrar no MeeGo.

Então decidi remover os outros. A remoção pareceu correr bem, até o momento de reiniciar o aparelho. Quem disse que subia? Entrou num loop de reinicializações, onde sequer chegava a iniciar o carregamento do Maemo (a animação das bolinhas nem aparecia).

Pensei que bastaria reinstalar o kernel através do Flasher e tudo estaria resolvido. Errei. Tive que reinstalar o firmware….perdendo todas as configurações e programas instalados que tinha.

Claro que por achar que a remoção daqueles pacotes não traria problema nenhum não fiz um backup antes. O backup mais recente que eu tinha foi de quando instalei o PR1.3.

Só que aí surgiu na frente mais um problema: eu alterei o particionamento da memória interna, removendo a partição VFAT e transformando-a em EXT3. Para isso funcionar corretamente alguns arquivos do sistema tiveram que ser alterados, para que a montagem da partição ocorresse de forma correta ao sistema subir (e também ao acessar o aparelho via USB como armazenamento em massa). Só que com a reinstalação do firmware essas alterações foram perdidas.

Claro que não foi nada preocupante, exceto pela mão de obra de ter que configurar tudo de novo. Mas vale a lição e algumas atitudes a tomar antes de fazer qualquer coisa que mexa demais com o aparelho:

1- sempre manter um backup atualizado. Vale a pena tentar criar um script de backup automático que rode toda noite, por exemplo, e copie o arquivo para o cartão de memória ou até o mande para algum lugar na internet

2- sempre que alterar alguma configuração do sistema, salve o arquivo alterado em algum outro lugar para ser mais fácil refazer a alteração depois

3- não faça uma salada de kernels e formas de boot. Nada garante que tudo funcionará, e mesmo que funcione, nada garante que depois de uma atualização ou remoção tudo continuará funcionando

4- sempre mantenha o cabo USB, o Flasher e a imagem do firmware mais atual à mão

5- se encha de paciência para o demorado processo de reinstalação dos programas à partir do backup

Enquanto espero a reinstalação dos programas vou caçando as informações que preciso para voltar às configurações que tinha antes…

Permissões de arquivos

Muitos estão acostumados apenas a usar o Windows, e ao se deparar com um Linux ficam confusos em relação aos arquivos e suas permissões.

A primeira coisa a ter em mente é que no Linux o conceito de usuários e grupos é total e completamente integrado ao sistema. No Windows isso é um mistério para a maioria dos usuários (no sentido de não terem noção sequer da sua existência, mas estão lá sim).

Para entender vamos dar um exemplo. Ao dar o comando ls -l num diretório você verá todo o seu conteúdo e as propriedades dos arquivos:

~ $ ls -l
drwxr-xr-x    4 user     users        4096 Oct 19 19:22 Instinctiv
drwxrwxrwx   34 user     users        4096 Oct 28 00:56 MyDocs
drwxr-xr-x    2 user     users        4096 Aug  2 15:23 NProfile
drwxr-xr-x    2 user     users        4096 Oct  1 17:26 Panorama_thumbs
-rw-r--r--    1 root     root         4521 Oct 28 19:50 Xorg.0.log
-rw-r--r--    1 user     users       11832 Oct 22 18:28 applet1.png
-rw-r--r--    1 user     users        6683 Oct 22 18:28 applet2.png
-rw-r--r--    1 user     users          86 Oct 22 18:28 applet3.png
drwxr-xr-x    3 user     users        4096 Jun 12 16:43 apps
-rwxr-xr-x    1 user     users          75 Oct 11 20:21 autouphoto.sh
-rw-r--r--    1 user     users        9554 Oct 21 22:14 book1.png
-rw-r--r--    1 user     users       23638 Oct 21 22:14 book2.png
-rw-r--r--    1 user     users       13169 Oct 21 22:14 bookmask1.png
-rw-r--r--    1 user     users       16384 Oct 28 19:52 fuelpad.db
drwxrwxrwx    2 root     root         4096 Sep  6 23:37 kroll
-rw-r--r--    1 root     root            0 Oct 28 19:51 qld.log
~ $ 

A primeira coluna informa as permissões e também alguns atributos do arquivo/diretório. A primeira letra indica o que a entrada é:
d -> diretório
l -> link
– -> arquivo

Há outras possibilidades, mas essas são as mais comuns. Os 9 códigos seguintes são, na verdade, 3 blocos de 3 códigos. Estes são os códigos possíveis de aparecer:
– -> sem permissão
w -> permissão de escrita
r -> permissão de leitura
x -> permissão de execução

Cada um dos 3 blocos determina as permissões para o usuário “dono” do arquivo, para o grupo ao qual o arquivo pertence, e para todos os usuários.

A terceira coluna do ls -l mostra qual é o usuário dono do arquivo, enquanto que a quarta coluna mostra o grupo. Qualquer usuário que pertença a esse grupo tem essas permissões. E se o usuário que tenta fazer algo com o arquivo/diretório não é o dono do arquivo nem pertence ao grupo, as permissões do terceiro grupo são aplicadas.

No exemplo acima o Xorg.0.log é um arquivo, pertencente ao usuário root e grupo root. Esse usuário pode ler e escrever o/no arquivo (primeiro subconjunto indicando “rw-“). Quem pertence ao grupo pode ler apenas (o “r–“). E os outros usuários também podem apenas lê-lo (o último “r–“).

O autouphoto.sh é um arquivo do usuário user, grupo users. O usuário user pode ler, escrever e executar o arquivo (“rwx”). Quem pertence ao grupo users pode ler e executar. E os outros também podem ler e executar.

Aqui alguns exemplos:
1) drwxrwxrwx: é um diretório onde todos os usuários e todos os grupos tem todas as permissões
2) -rw-r—–: é um arquivo, onde o usuário tem permissão de leitura e escrita, os integrantes do grupo tem permissão de leitura e os outros usuários não tem permissão alguma
3) -rwxr-xr–: é um arquivo que pode ser lido, escrito e executado pelo usuário, lido e executado pelo grupo e somente lido por todos os outros usuários

Importante lembrar que o fato de um arquivo poder ser lido por qualquer um não vai adiantar nada se o diretório onde esse arquivo está também não o for! Afinal de contas, para chegar ao arquivo primeiro preciso chegar ao diretório.

Como já pôde ser notado, o que determina que um arquivo pode ser executado é uma permissão dele, não a sua extensão.

Para mexer com as permissões há dois comandos: chown e chmod. O primeiro serve para alterar os “donos” do arquivo (change owner), e o segundo é para alterar as permissões (change mode).

Aqui é um bom lugar para aprender a usar o chmod (com mais dicas aqui).

Já como usar o chown pode ser visto aqui.

Só para complementar, na listagem acima as 3 últimas colunas mostram o tamanho do arquivo (se for um diretório terá tamanho fixo), a data de última alteração e, obviamente, o nome.

E os arquivos ocultos? Arquivos ocultos no Linux são todos aqueles que tem seu nome iniciado por um ponto. O mesmo se aplica para diretórios. Para vê-los basta usar a opção “a” no comando ls:

ls -a

MeeGo 1.1 final para N900

Antes de continuar lendo: é uma versão final para o N900, porém NÃO É UMA VERSÃO COM INTERFACE MÓVEL!

Isso significa que a “cara” do sistema é a mesma daquela vista em netbooks. A versão 1.2 já deve ter uma “cara de celular”. A data de lançamento prevista é entre 21 e 27 de abril de 2011. Vale lembrar que até agora todas as datas foram rigorosamente seguidas.

Outra coisa que gerará muita reclamação é o fato de terem anunciado que o PR 1.3 (último firmware do N900) teria suporte a multi-boot entre Maemo e MeeGo. É preciso ressaltar que esse suporte é para desenvolvedores! Não é para o usuário comum!! Portanto não adianta esperar um menu mágico perguntando se quer dar boot num ou noutro.

O processo para se fazer multi-boot é complexo e requer bons conhecimentos. Mais pra frente tentarei fazer um texto explicando como fazê-lo, se perceber que não é sujeito a muitas falhas.

Quanto ao MeeGo em si, ele pode ser baixado daqui e instalado no cartão de memória, como foi nas outras versões.

Neste momento estou fazendo a cópia para o cartão, e depois vou tentar rodá-lo para às quantas anda o sistema. Se conseguir dar boot (pois é….a última versão eu não conseguia rodar), mais tarde colocarei imagens dele e impressões que tive.

Atualização

Esta versão subiu tranquilamente no N900. Mas não é nem de longe utilizável. Antes de descrevê-la é bom repetir o que disse um dos desenvolvedores no fórum do MeeGo: o sistema ainda é apenas para desenvolvedores! Ele não está pronto para o público nem para uso em “produção”. Estão mais preocupados no momento em criar a base dele, tanto que de software ele oferece apenas um aplicativo de telefonia, um de SMS, um tocador de música, o terminal e um navegador (Fennec).

A recarga da bateria não funciona, assim como o indicador dela. Da mesma forma tampouco funcionam os indicadores visuais de rede de telefonia. O sistema como um todo está extremamente lento, e as respostas visuais péssimas.

Eu diria que, como usuário, houve um retrocesso nessa versão 1.1 comparando-a com outras anteriores. Mas como desenvolvedor entendo perfeitamente que a parte “visual” é sempre a última, pois o mais importante é primeiro fazer as coisas funcionarem direito.

E parecem estar….o wi-fi funcionou bem (conectando a uma rede segura WPA2), enviei e recebi um SMS (na verdade enviei o texto pra mim mesmo), e a telefonia também funciona.

Mas ainda precisa comer muito arroz com feijão. E muito mesmo.

Pagar ou não pagar?

Há uma discussão rolando no T.M.O. sobre software proprietário, software livre, redistribuição de software comercial e coisas correlatas. A origem dessa discussão é o Stellarium, excelente programa para quem gosta de astronomia.

Já foi comentado o porte dele para o Maemo. A versão que está nos repositórios extras-devel é mais uma recompilação (tanto que no texto descrevi alguns problemas que ele possui) do que um porte efetivo.

Mas agora há uma versão dele na Ovi Store, paga. A origem da discussão toda foi o fato de que o programa usa a licença GPL, que exige que os fontes sejam disponibilizados, assim como garante a livre distribuição, tanto dos fontes quanto dos binários (o programa em si). Mas não impede que se possa cobrar por um programa. Pagar vai da cabeça do usuário! Só que o usuário que pagou tem o direito de redistribuir o programa livremente (assim como aquele que não pagou).

Alguns reclamaram que um usuário colocou o link para o arquivo numa mensagem (removido pelos administradores), outros reclamam que o autor não disponibiliza os fontes, e teve gente que reclamou que tinha alguém ganhando dinheiro com trabalho alheio.

Para a primeira reclamação não há motivos: se o programa é licenciado sob a GPL, então está dentro da lei. Para a segunda reclamação, até onde acompanhei ninguém tinha entrado em contato com o autor para pedir os fontes….e aí a reclamação passou a ser contra a Ovi Store (e Nokia em última instância), por disponibilizar um programa GPL mas não seus fontes.

Já a terceira reclamação deixou de ser válida à partir do momento em que perceberam que o autor do Stellarium Mobile é justamente o principal mantenedor do Stellarium desktop. E que ele tinha solicitado aos outros colaboradores a troca da licença de uso para a versão mobile. Todos concordaram, exceto um. A solução foi retirar o código desse colaborador do programa e reescreverem essa parte do zero.

E se mudaram a licença então a disponibilização dele livremente (e dos seus fontes) também pode não ser mais obrigatória. O problema é que no “about” do Stellarium Mobile está escrito que a sua licença é a GPL (pode ter sido um engano deixar isso ali, mas está).

Não vou entrar no mérito da licença ou da questão software livre ou não, pois muitas vezes isso é mais uma questão filosófica que qualquer outra coisa. Mas eu acho totalmente justo alguém que gastou tempo, dinheiro (energia elétrica para o computador, banda larga para pesquisar na internet, e café para se manter acordado custam dinheiro), e fez algo bom, cobre por isso. Também acho um absurdo alguém que gastou U$300, U$400 para comprar um aparelho se recuse a pagar U$2 ou $3 por um programa (e um bom programa).

E só para colocar lenha na fogueira houve uma mensagem de uma pessoa da Rovio (autora do sensacional Angry Birds), onde ele explica claramente (e de forma até cruel) porque o jogo foi lançado gratuitamente no Android: porque a loja não está disponível no mundo todo, e porque os usuários desse sistema não tem o costume de pagar por programas, ao contrário dos usuários iOS (Apple).

Mas então porque lançar programas para o Android se a taxa de retorno é pequena? Porque existe um grande parque de aparelhos por aí, com tendência de crescimento. Ao contrário do Maemo que possui um parque pequeno. Além de ser possível incluir nos programas do Android propaganda, dando retorno financeiro ao desenvolvedor (através de ferramentas da própria plataforma).

Então na minha opinião, ao fazer cópias indevidas de programas comerciais no N900 o usuário também está ajudando a matar a plataforma.

Um smartphone (ou super-smartphone, como a Nokia está chamando agora aparelhos como o N900) não são nada sem programas de terceiros. E desenvolvedores de final de semana não vão conseguir suprir a necessidade por novos programas, já que só eles irão trabalhar de graça.

ATUALIZAÇÃO: os fontes do Stellarium para Maemo estão disponíveis na página do projeto. Na prática é apenas o plugin responsável pela interface, já que todas as otimizações feitas para o N900 já estavam inclusas no código do programa já disponível.

Segurança do Maemo em ambiente corporativo

Um estudo sobre a segurança de dispositivos móveis foi feito pela FreeBSD Brasil Ltda, empresa que promove o FreeBSD no território brasileiro.

Eles compararam os sistemas RIM BlackBerry (num BlackBerry 8320, versão 5.0 do sistema), iPhone 3GS (com iPhoneOS 3.0), Nokia N900 (com Maemo 5/PR1.2) e um Nexus One (com Android 2.2).

O objetivo do estudo era verificar as capacidades de segurança de cada aparelho no ambiente corporativo, onde deve haver uma preocupação muito mais elevada nesse quesito.

O resultado do estudo aponta o BlackBerry como mais seguro, com uma pontuação de 70, seguido, vejam só, pelo N900 com 42, tendo o Nexus One 18, e o iPhone 16. Essa pontuação não é explicada (não dizem como chegaram a ela), mas mostra a distância existente entre os sistemas, principalmente se considerarmos que o BlackBerry tem, em sua essência, justamente o uso corporativo.

O estudo pode ser visto aqui.

Ao analisar o documento dá para perceber o motivo do N900 ter atingido um resultado tão expressivo: justamente por ser quase open-source*, e por ter uma comunidade empenhada (algumas das soluções são justamente feitas pela comunidade).

fonte: BR-Linux.org

* quase porque nem todo o código do aparelho é aberto.

Vídeo do MeeGo no N900

Agora aparentemente rodando com uma boa fluidez no aparelho. Assim que esse novo build estiver disponível, tentarei fazer alguns testes.

fonte: The N900 Applications

Código de bloqueio

Texto baseado numa dúvida do fórum, e na dica do leitor nfermat.

O código de bloqueio é aquele digitado pra bloquear o aparelho, onde para fazer qualquer outra coisa é obrigatória a sua digitação novamente. Não confundir com bloqueio de chip, que o N900 não possui (o único lugar do mundo onde o N900 é vendido bloqueado para determinada operadora é no Reino Unido, se não estou muito enganado).

Esse código é algo que muitos usuários não prestam atenção, mas que pode trazer boas dores de cabeça. O N900 não possui um código de fábrica, como é comum em diversos outros aparelhos! Assim que o aparelho for bloqueado pela primeira vez (através do botão liga/desliga ou ativação nas configurações), será pedido o código. E à partir daí, o código digitado será o código de bloqueio/desbloqueio. Digitar “qualquer coisa” não é algo saudável, pois esquecer essa senha deixará o aparelho quase que inutilizado!

Após ele ser bloqueado a única coisa possível de fazer com o aparelho é receber chamadas e desligá-lo. Para qualquer outra coisa (ler um SMS, fazer uma chamada, acessar um programa, etc.) é obrigatório digitar o código.

Com ele bloqueado, não adianta desligá-lo pois ele pedirá o código assim que for reiniciado. Também não adianta reinstalar o firmware para zerá-lo. Ele não será apagado. (o leitor do fórum trigaum informou que reinstalou o firmware e o código foi zerado). Colocar o aparelho em modo R&D também não adiantará nada. Em suma: se o aparelho está bloqueado e você não sabe o código, a única alternativa fácil é levá-lo para a assistência técnica.

Caso seu aparelho sempre se conecte à internet, ou de tempos em tempos, e você tiver o servidor SSH instalado nele, e consiga, de alguma forma, descobrir o IP do aparelho, então ainda há alguma esperança.

Para recuperar a senha você precisa, de alguma forma, ter acesso ao terminal do aparelho, seja nele mesmo ou seja via SSH. Esta é a receita para descobrir a senha.

Primeiro, como root, digite isto no terminal:

grep -A 13 lock_code /dev/mtd1 | tail -1

Ele retornará uma linha com caracteres estranhos, como essa:

BdJIVkQlHH8YY

Isso é a senha criptografada. Agora vamos descriptografá-la usando a força bruta. Isso significa que usaremos um programa para tentar todas as combinações possíveis de senha até ele conseguir chegar no mesmo código criptografado. Com senhas alfanuméricas esse trabalho poderia levar horas, meses, até anos, dependendo da complexidade dela (uma senha que misture letras maiúsculas e minúsculas com números e caracteres especiais se torna virtualmente inquebrável justamente pelo tempo que se levaria para conseguir). Mas como essa senha é numérica, a coisa fica mais rápida.

Copie a senha criptografada para um arquivo texto, no seu computador, e adicione o texto “root:” em frente. O arquivo ficará com este conteúdo (no meu caso):

root:BdJIVkQlHH8YY

Salve-o. Importante: é um arquivo texto puro!! Nada de usar o Word e similares!

Agora precisa baixar o programa que fará a quebra da senha: John the Ripper password cracker. Caso você use algum Linux, certamente o programa estará nos repositórios da sua distribuição. Basta procurá-lo por lá. Se usar Windows, vá até o site do projeto, e baixe o arquivo. Caso tenha um Mac, aparentemente apenas a versão Pro está disponível…mas você pode baixar os fontes da versão free e compilá-lo.

Se usar Linux ou Mac, provavelmente o programa já estará no caminho. Se for Windows, baixe e descompacte em algum diretório, e mova o arquivo com a senha para o diretório onde estiver o executável do John (john-386.exe).

Abra um terminal ou prompt do DOS, e vá até o diretório onde está o arquivo com a senha. Digite isto:
Linux/Mac

john -i:digits arquivo_com_a_senha

Windows

john-386.exe -i:digits arquivo_com_a_senha

Depois de algum tempo (que podem ser poucos segundos, ou vários minutos, dependendo da capacidade de processamento do seu computador e do tamanho da senha), ele mostrará o resultado. No caso da senha acima:

Loaded 1 password hash (Traditional DES [128/128 BS SSE2-16])
12345            (root)
guesses: 1  time: 0:00:00:00  c/s: 1422  trying: 1952 - 0064547

A resposta veio praticamente instantaneamente porque a senha, 12345, é absurdamente fraca. Mas com outra senha, um pouco mais complexa, e com 7 dígitos, ele levou 11 segundos.

Agora vá até as configurações do N900, seção bloqueio do dispositivo, e altere a senha para algum código que só você saiba, e que não vá se esquecer (ou então lembre-se de nunca bloquear o aparelho)! 🙂

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